Escolhi ou fui escolhida por São Paulo?

Imagem do blog Para São Paulo, com amor, da vista de São Paulo no mirante do Farol Santander.
Vista do mirante do Farol Santander / foto: Jhenifer Pollet

Em tempos de amores líquidos, quando a impaciência chega com tudo e você já não aguenta um vídeo de 30 segundos do TikTok, quanto mais esperar dois minutos para o próximo metrô, amar São Paulo – e amar em São Paulo – é um desafio.

Na cidade onde “não existe amor”, como canta Criolo, quem ama é um forasteiro afrontoso, que debate com as ruas, em meio às buzinas, qual é o real significado de amar. E se o seu coração for corajoso o suficiente para continuar batendo por São Paulo – mesmo com todas as suas cicatrizes, dores e disparidades; mesmo com seus dias cinzas e rabugentos, com a falta de tempo e paciência, metrôs lotados e o trânsito que não flui – por mais estranho ou incrível que pareça, a cidade passa a amá-lo também.

A verdade é que existe amor em São Paulo – só não do jeito que estamos acostumados. Só não de um jeito simples e calmo. Aqui não existe “a sorte de um amor tranquilo”, como pede Cazuza, mas ainda há amor. De um modo visceral, daqueles que viram do avesso e andam lado a lado com a paixão.

Eu não lembro ao certo quando a minha história de amor com São Paulo começou. E, por mais que eu tente fugir dos clichês, eles estão aqui e precisam ser contados: uma menina do interior, que se mudou para uma das cidades mais lindas do Brasil, mas que não se encontrava em meio ao mar, e buscou alento nos livros, nos museus, nos cafés e bares com néons em um vermelho gritante, em uma selva de pedra, que não para.

Eu em 2015, quando viajei para São Paulo pela primeira vez – a trabalho.

São Paulo me pegou pelo estômago, pelo cérebro e pela língua. Foi paixão avassaladora que se transformou em um amor nu e cru, cortante. Uma vez que vim foi o suficiente para entender que, depois de perambular tanto por aí, encontrei um lugar para chamar de meu, ainda que eu permaneça uma forasteira.

Volta e meia me pergunto se fui eu quem escolhi São Paulo ou se foi ela quem me escolheu. Ainda não tenho essa resposta, mas gosto de imaginar que foi um match certo, consentido, em meio a tantos desencontros.

E quando estava prestes a desistir do nosso romance, conheci o amor da minha vida. E sabe o plot twist? Ele morava em Santo André, pertinho da Capital. Depois de meses namorando à distância, o coração falou mais alto e tomei a decisão mais importante da minha vida: uni meus amores em um só lugar.

Para São Paulo, com amor - Jhenifer e André em algumas das várias atividades que fazem por São Paulo
Meus dois amores: São Paulo e André – que é meu sócio nesse projeto.

Apesar dos clichês, minha história de amor com São Paulo não é açucarada, é agridoce. A cidade me torna mais humana, ao ponto de fazer minha carne doer e sentir os melhores prazeres da vida. E aqui eu, que não conseguia ser em nenhum lugar, me camuflo nas ruas de um lugar que me acolhe à sua forma, me aceita, me ama como eu sou.

O amor nem sempre é simples.
Mas ele existe – e resiste – perambulando pela Paulista e outras avenidas, aqui e ali.

Texto: Jhenifer Pollet / @paraspcomamor

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